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Poemeto do Endocrinologista
Nas minhas andanças endócrinas,
por essa vida de esculápio,
muito aprendi, e contente,
meus companheiros de SEMPR!!
Coisas em que poucos acreditam,
aqui ouso revelar,
os que viveram a mesma faina
sim, poderão me julgar.
Vi magros virando gordos,
poucos gordos o contrário,
esqueletos se achando obesas,
peludas ficando lisinhas,
gatinhas virando armário!
Conheci papudos impalpáveis
(naturais de Papanduva?),
contemplei seios (quase) irresistíveis,
me assustei com clitóris improváveis!
Damas halterofilistas,
donzelas de fala grossa,
macho com jeito e trejeito,
Gay Parade e remelexo!!
Em tireóide, acreditem,
já vi hiper virando hipo,
e hipo virando hiper,
tudo espontaneamente,
surpreso evidentemente!
“Doutor eu tenho tiróide?”,
mulher virando homem,
homem virado mulher,
só não se viu o ex-viado,
desconfie de quem disser!
Paciente sempre sumido,
outro que volta desconfiado,
alguns que se consomem,
e o velho purantiquatro!!
Curei muitos cancerosos
quase mortos pelo medo,
chorei choros copiosos,
incontíveis e pungentes,
em coro com meus doentes.
Com relação à freqüência,
vários tipos encontrei:
tinha o aniversariante, o bissexto,
até com o tipo Halley deparei!
Gordos que nada comem,
sim, glicemia de mil!,
insulina-dia de novecentos,
Tri de doze mil,
tudo isso e o doente,
andando naturalmente!!
Menses subindo à cabeça,
leite esguichando sem parto,
ração humana, chá de insulina,
doce escondido no quarto!!
Como aqui se percebe,
muito eu teria a falar,
mas enfim esse poema
uma hora tem que terminar...
Tudo o que sou hoje em dia
(inclusive deixar de fumar!),
devo, sim, a esse Serviço
e aos professores de uma época
de que não posso olvidar:
Alemão, Hungria, Rosângela,
Doutores Henrique e Edgard,
(além dos Residentes e Equipe):
se eu pudesse,
começaria,
(e de novo),
tudo e tudo,
mais uma vez!!
Dr. Vicente F.C. Andrade, junho de 2009, 10 anos de SEMPR.