Notícias - Curitiba conta com ambulatório multiprofissional para atendimento de travestis e transexuais no PR

03 de fevereiro de 2021

CPATT oferece acompanhamento psicológico, endocrinológico e de enfermagem.

Dia 29 de janeiro foi o Dia Nacional da Visibilidade Trans, e sempre é válido destacar o ambulatório multiprofissional especializado para o atendimento de travestis e transexuais no Paraná.

O Centro de Pesquisa e Atendimento a Travestis e Transexuais (CPATT) está localizado no centro de Curitiba (Rua Barão do Rio Branco, 465), é vinculado ao CRE metropolitano da Secretaria de Estado da Saúde e foi habilitado pelo Ministério da Saúde (portaria Nº 2.803/2013) na modalidade ambulatorial, em 29 de dezembro de 2016. Ele disponibiliza assistência diagnóstica e terapêutica especializada aos indivíduos com indicação para a realização do processo transexualizador.

O CPATT oferece acompanhamento psicológico, endocrinológico e de enfermagem visando integrar as dimensões psíquicas, sociais e biomédicas.  Prioriza-se o trabalho em equipe e o respeito às diferenças e à dignidade humana em todos os níveis de atenção.

Como funciona
O acesso da população a esse serviço do Sistema Único de Saúde é realizado de forma ordenada e igualitária. O usuário procura a Unidade Básica de Saúde de origem, é acolhido por um profissional de nível superior, que irá fazer o encaminhamento para o serviço especializado. A consulta é agendada previamente pela central de regulação do sistema Esaúde – SMS de Curitiba e o paciente aguarda ser chamado para acolhimento no CPATT. Média de usuários novos/mês: 25 a 30.

Números
Um total de 823 usuários já ingressaram no CPATT, sendo 444 mulheres trans (54%) e 379 homens trans (46%). A maioria das pessoas são procedentes de Curitiba (61%) e 39% vindas de outros municípios e cidades do Paraná, 51% pertencem a faixa etária de 26 a 36 anos e 56% dessa população possuem o ensino médio.

Distribuição de medicamentos
Desde abril/2016, os hormônios são distribuídos gratuitamente pelo ambulatório do CPATT. Quatro medicamentos foram padronizados. Para as mulheres trans: Valerato de Estradiol, Acetato de Ciproterona e Espironolactona. Para os homens trans: desde setembro/2018, a solução injetável de Undecilato de Testosterona.

Desafios
Um dos grandes desafios é ampliar e aprimorar a rede de atenção à saúde a esta população. Outro ponto importante é que muitas pessoas trans têm interesse em realizar procedimentos cirúrgicos dentro do processo transexualizador e que são previstos na Portaria MS número 2.803/2013, mas que até o momento ainda não são ofertadas no Paraná através dos serviços públicos.

*Por Edna de Jesus Litenski Barbosa, atualmente, endocrinologista do Centro de Pesquisa e Atendimento a Travestis e Transexuais (CPATT), onde é responsável pela hormonização desta população.